quinta-feira, 22 de julho de 2010

Romantismo, Educação ou falta de Deus no coração?

Acabou o romantismo

Hoje acordei triste. Uma tristeza profunda e seca, daquelas que tiram as cores do dia por mais belo que ele amanheça como amanheceu hoje no Rio de Janeiro. Uma vontade de ficar quieto e não me mexer, nenhuma vontade de falar ou sorrir.

Compromissos marcados, pendências importantes, nada pude fazer que não me atirar da cama e partir pra luta. E num esforço tremendo para não sucumbir, consegui encerrar o expediente de funções a cumprir, acompanhado o dia inteirinho por essa melancolia azeda no peito.

Agora há pouco, enquanto dirigia de volta pra casa, me peguei pensando que não está legal o mundo em que vivemos. Simples assim. Tenho 28 anos e me assusta pensar que não vivi tanto tempo assim para me sentir tão nostálgico e anacrônico quanto me sinto hoje. Tenho de verdade a impressão que quando era criança, e isso não faz nem duas décadas completas, vivíamos em outro mundo, muito mais leve e alegre. Onde ser feliz era mais viável. Havia mais romantismo no ar.

A cada dia que passa, a cada notícia que leio, a cada nova tragédia cotidiana que nos assalta, tenho a sensação de que estamos caminhando para o fim do romantismo e, por favor, não tenham uma leitura simplista do que defino como romance. Não estou me referindo a relacionamentos amorosos e afins. Mas sim a uma leveza, um savoir-faire, um jeito mais delicado de encarar a vida.

A humanidade endureceu muito nos últimos tempos. Numa reação em cadeia, do macro ao micro, nos tornamos mais isolados e reprimidos, olhamos menos para o outro, gerando uma sociedade cada vez mais dividida e desigual, desunida e assustada. Sinto falta de uma época onde coisas simples eram de fato mais simples, onde pequenas transgressões inofensivas do dia-a-dia não tinham consequências trágicas, de menos paranóia generalizada, de menos violência ao próximo e mais amor.

Estou cansado de ver gente morrendo à toa, de assistir um bando de seres cada vez menos humanos tendo atitudes inconcebíveis e as julgando normais, acreditando de verdade que no final poderão rir da cara de todo mundo. Estou cansado de ver gente assim rindo da cara de todo mundo no final. Estou farto de agressividade gratuita no dia-a-dia como se isso fosse tolerável e normal. Da falta de respeito ao direito e às escolhas de cada um. Estou de saco cheio dessa pretensa comédia que não tem a menor graça.

Precisamos agir. Mais do que nunca as atitudes de cada um em prol do coletivo se tornam fundamentais para mudar o curso esquisito que caminha a humanidade. Só nós mesmos, a cada segundo, em cada atitude, a cada escolha, podemos com serenidade preparar um futuro mais bonito do que os dias estranhos que temos vivido, com mais tolerância, carinho e respeito. Com mais romantismo. Porque do jeito que está não está legal. Hoje eu acordei triste. E vou dormir triste também. Mas não quero deixar de acreditar num amanhã melhor.

(Pedro Neschling)

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Particularmente, não sei a palavra certa é romantismo. Pra mim tem mais a ver com a EDUCAÇÃO. Ela é a base de tudo! Especialmente da gentileza. Mas a questão também não se resume a isso. Na verdade, religiões a parte, a falta de Deus no coração das pessoas têm feito muita diferença.
Antigamente nós tínhamos um contato maior com Deus. Fossem pelas obrigações de uma escola católica, fosse pela "disciplina" Religião ou Estudo Religioso, ou mesmo pela imposição de nossos pais, tios ou avós. A gente tinha mais contato com Deus. Pelo menos se sabia da existência dessa Força Maior, ou dos sacramentos, enfim... Isso nos remetia mais a pensar duas vezes antes de ir contra tudo aquilo que a gente ouvia nesses lugares.
E voltando ao problema da falta de educação, não sei se você chegou a estudar, mas eu ainda tive, no meu horário escolar, E.M.C. (Educação Moral e Cívica) e posteriormente O.S.P.B. (Organização Social e Política Brasileira) que apesar da deturpação que sofreram no regime militar, já perto do fim dessas disciplinas, elas ensinavam aos alunos noções de respeito e convivência em sociedade.
É uma questão muito complexa, essa que o Pedro classificou como "falta de romantismo". Porque passa também pela destruição da família. Antigamente havia uma preocupação muito grande no repasse de valores éticos e morais. Hoje não. Os pais estão cansados ou ocupados demais para ensinar "o que é certo" aos filhos. É mais fácil fingir não enxergar que É PRECISO CORRIGIR ENQUANTO É TEMPO e acabam deixando essa tarefa pra escola, pra rua, enfim, pro tempo, pra vida ensinar.
E o que a gente tem são noticiários terríveis, com casos de irresponsabilidade e intolerância cada vez mais constantes, como a morte estúpida do filho da Cissa Guimarães e tantas, tantas outras barbaridades que deixam um Jornal no mesmo patamar de um programa sensasionalista de violência.
Mas eu acredito, do fundo do coração que nem tudo tá perdido, exatamente porque cabe a cada um de nós fazer a diferença nessa situação assombrosa que a humanidade se encontra. Todo mundo é uma semente, é uma esperança em dias melhores.
Então, não importa como mundo esteja, como a maioria das pessoas aja. O que importa é o que EU faço com o meu dia-a-dia, com as minhas atitudes. Todo mundo joga lixo na rua? Eu não. Todo mundo fala palavrão? Eu não. Ninguém dá preferência a um idoso, uma grávida? Eu dou! Enfim, não é querer ser melhor do que os outros, mas é assumir pra si um comportamento semente daquilo que eu quero que floresça ao meu redor.
E isso tem que ser feito sem perspectiva de retorno, porque sobretudo tem que ser uma convicção particular, um esforço solitário, mas principalmente solidário. Quem sabe nossa atitude vai conquistando mais adeptos e a gente não volta a ter um mundo mais leve, né?
Tomara...

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